Fonte:
Cadernos Fecomércio Rio de Janeiro
Capital
versus Regiões: evolução crescente
Independente
e com dinamismo próprio, a cidade do Rio de Janeiro sempre
atraiu pessoas, recursos e decisões para sua órbita,
caracterizando-se como uma cidade-estado. Apesar da separação
em duas unidades federativas, antes da chamada " fusão",
desde a muito que a cidade do Rio de Janeiro exerce grande influência
sobre as outras regiões do estado.
Esta
seção compara, através de dados sócio-econômicos,
a cidade do Rio com as regiões. As tabelas de 1 a 6 apresentam
dados do estado do Rio de Janeiro, da cidade do Rio de Janeiro e do
conjunto dos outros 90 municípios que constituem o estado,
referidos aqui como Regiões.
Estado
do Rio de Janeiro e seus 91 municípios
A
cidade do Rio de Janeiro, apesar de ocupar apenas 3% do terrritório
do estado, concentra, atualmente, 40% da população e
62% do PIB (Produto Interno Bruto) total, Com esta concentração
estrutural, as Regiões registraram um crescimento populacional
médio superior ao da cidade do Rio de Janeiro, nos últimos
60anos. Nos anos 90, apesar da redução geral na taxa
de crescimento da população, a taxa média de
crescimento nas Regiões situou-se praticamente nos mesmos níveis
da década anterior, em 1,4% ao ano, enquanto a taxa de crescimento
na cidade do Rio reduziu-se de 0,7% para 0,3%, sendo que ao final
desta década, a cidade do Rio registrou taxa de migração
negativa, de 0,6%.
| |
Estado do Rio de Janeiro
|
Cidade do Rio de Janeiro
|
Regiões*1
|
|
ÁREA E POPULAÇÃO
|
| |
|
|
|
|
Área da unidade territorial (Km2)
|
43.865
|
1.206
|
42.659
|
|
% da área sobre Estado
|
100%
|
3%
|
97%
|
|
População estimada em 2000 (mil
hab)
|
13.905
|
5.611
|
8.295
|
|
% da população no Estado
|
100%
|
40%
|
60%
|
|
Densidade geográfica (hab. Por Km2)
|
306
|
4.604
|
194
|
| |
|
|
|
|
CRESCIMENTO POPULACIONAL-HISTÓRICO
|
| |
|
|
|
|
% médio anual últimos 10 anos
|
0,9%
|
0,3%
|
1,4%
|
|
% médio anual de 1980 a 1991
|
1,2%
|
0,7%
|
1,5%
|
|
% médio anual de 1940 a 1980
|
2,9%
|
2,7%
|
3,1%
|
| |
|
|
|
|
COMPOSIÇÃO DO CRESCIMENTO
RECENTE
|
| |
|
|
|
|
Taxa de Crescimento Vegetativo (%)
|
1,2%
|
0,9%
|
1,4%
|
|
Taxa Liquida de Migração (%)
|
- 0,2%
|
- 0,6%
|
0,0%
|
| |
|
|
|
|
PIB DE 1998, EM R$ MILHÕES
|
| |
|
|
|
|
PIB a preços de mercado
|
118.407
|
73.961
|
44.446
|
|
% no PIB do Estado
|
100%
|
62%
|
38%
|
|
PIB per capita (R$)
|
8.964
|
13.253
|
5.508
|
|
% do PIB per capta sobre do Estado
|
|
48%
|
- 39%
|
|
Taxa de variação % PIB
|
2,8%
|
0,1%
|
5,9%
|
Fonte:
Anuário Estatístico do Rio de Janeiro 1999-2000, CIDE
*
1 Regiões: o Estado do Rio de Janeiro, excluindo a cidade do
Rio de Janeiro.
COMPOSIÇÃO
DO PIB
|
|
Estado do Rio de Janeiro
|
Cidade do Rio de Janeiro
|
Regiões * 1
|
| |
|
|
|
|
% DO SETOR NO PIB DA REGIÃO
|
| |
|
|
|
|
Total
|
100%
|
100%
|
100%
|
|
Agropecuária
|
1%
|
0%
|
2%
|
|
Indústria
|
27%
|
22%
|
36%
|
|
Comércio de bens e serviços
|
35%
|
42%
|
22%
|
|
Outros serviços *1
|
23%
|
26%
|
18%
|
|
Aluguéis
|
14%
|
9%
|
22%
|
| |
|
|
|
|
% DA REGIÃO NO PIB DO SETOR NO ESTADO
|
| |
|
|
|
|
Agropecuária
|
100%
|
1%
|
99%
|
|
Indústria
|
100%
|
50%
|
50%
|
|
Comércio de bens e serviços
|
100%
|
76%
|
24%
|
|
Outros serviços *1
|
100%
|
71%
|
29%
|
|
Aluguéis
|
100%
|
41%
|
59%
|
Fonte:
Anuário Estatístico do Estado do Rio de Janeiro 1999-2000,
CIDE
*
1 Reúne os setores de Transporte, Comunicação,
Governo e Financeiro.
A
grande diferença de renda per capta entre a capital e as Regiões
(a renda per capta das Regiões é equivalente a 41% da
renda per capta na capital) tende a diminuir lentamente. O dinamismo
das regiões pode ser destacado pelas taxas de crescimento econômico
de 1998: enquanto a capital teve praticamente expansão nula,
as regiões cresceram 6% naquele ano. Provavelmente, esta diferença
deve se manter ao longo dos próximos anos, tendo em vista o
impacto positivo dos investimentos realizados em algumas regiões.
Pela
composição do PIB da cidade e das Regiões do
estado, podemos retirar as seguintes constatações:
-
Baixo peso
da agricultura, mesmo nas Regiões do estado, em que alcançou
apenas 2% do PIB;
-
Grande espaço
existente para o crescimento do setor de comércio de bens
e serviços nas regiões – 22 % do PIB - , percentual
relativamente pequeno em relação aos 42 % deste
setor no PIB da cidade do Rio de Janeiro.
RECEITAS
PÚBLICAS – EM R$ MIL
| |
Estado do Rio de Janeiro
|
Cidade do Rio de Janeiro
|
Regiões
|
|
|
|
|
|
|
IMPOSTOS ESTATUAIS (1999)
|
|
|
|
|
|
|
Arrecadação de ICMS
|
6.878.616
|
4.973.912
|
1.904.704
|
|
Arrecadação de IPVA
|
359.101
|
235.753
|
123.348
|
| |
|
|
|
|
RECEITAS CORRENTES MUNICIPAIS (1998)
|
| |
|
|
|
|
Total
|
5.748.128
|
3.138.093
|
2.610.035
|
|
Tributária
|
2.152.517
|
1.580.324
|
572.193
|
|
Patrimonial
|
153.129
|
138.327
|
14.802
|
|
Transferências
|
2.991.538
|
1.207.639
|
1.783.898
|
|
Outras
|
450.945
|
211.803
|
239.142
|
| |
|
|
|
|
RECEITAS TRIBUTÁRIAS MUNICIPAIS (1998)
|
| |
|
|
|
|
Total
|
2.152.517
|
1.580.324
|
572.193
|
|
IPTU
|
647.702
|
443.112
|
204.589
|
|
ISS
|
949.401
|
758.049
|
191.353
|
|
Outros
|
555.413
|
79.163
|
176.251
|
Fonte:
Anuário Estatístico do Estado do Rio de Janeiro 1999-2000,
CIDE.
Verificamos
que a predominância econômica da cidade sobre as Regiões,
presente na relação 62 % versus 38% da distribuição
do PIB do estado, é ainda mais acentuada no aspecto de arrecadação.
A cidade do Rio de Janeiro concentra 72,5 de arrecadação
de icms e 80 % de ISS.
DESPESAS
PÚBLICAS – EM R$ MIL DE 1998
| |
Estado do Rio de Janeiro
|
Cidade do Rio de Janeiro
|
Regiões
|
| |
|
|
|
|
DESPESAS CORRENTES E CAPITAL (1998)
|
| |
|
|
|
|
Despesas Totais
|
6.403.190
|
3.679.967
|
2.723.224
|
|
Correntes – Custeio Pessoal
|
2.048.305
|
987.796
|
1.060.509
|
|
Correntes – Serviços, Material e Outras
|
1.332.132
|
610.900
|
721.231
|
|
Correntes – Transferências
|
1.751.821
|
1.162.726
|
589.095
|
|
Capital – Investimentos
|
561.630
|
237.927
|
323.703
|
|
Capital – Inversões Financeiras
|
21.457
|
11.374
|
10.083
|
|
Capital – Transferências
|
687.846
|
669.243
|
18.603
|
|
Despesas líquidas de Transferências
|
3.963.524
|
1.847.998
|
2.115.526
|
| |
|
|
|
|
DESPESAS FUNÇÃO DE GOVERNO (1998)
|
| |
|
|
|
|
Despesas totais
|
6.403.190
|
3.679.967
|
2.723.224
|
|
Legislativa
|
378.929
|
83.565
|
195.364
|
|
Adm. / Planejamento
|
1.520.225
|
970.661
|
549.564
|
|
Educação e Cultura
|
1.716.425
|
93.071
|
723.353
|
|
Habitação e Urbanismo
|
734.277
|
19.407
|
314.871
|
|
Saúde e Saneamento
|
1.071.025
|
555.539
|
515.487
|
|
Transporte
|
184.011
|
56.954
|
27.057
|
|
Outros
|
798.298
|
500.771
|
297.527
|
Fonte:
Anuário Estatístico do Estado do Rio de Janeiro 1999-2000,
CIDE.
Do
total das Receitas Correntes dos municípios das Regiões,
que somam R$ 2,6 bilhões (45 % do total das Recitas Correntes
Municipais do estado), R$ 1,8 bilhões referem-se a conta de
transferências, ou seja, 68% do total disponível aos
governos destes municípios são recursos provenientes
do governo do estado do Rio de Janeiro e da União.
Com
relação a distribuição das despesas públicas
dos governos municipais, registrou-se, em 1998, uma concentração
de 57% do total na cidade do Rio. Se forem desconsideradas as despesas
de Transferências – Corrente e de Capital - , as despesas dos
governos municipais das Regiões passam a superar as do governo
da cidade do Rio, somando R$2,115 bilhões, ou 53% do total.
Esta relação das despesas públicas municipais,
de 47% versus 53%, aproxima-se um pouco mais da distribuição
da população, de 40 % versus 60%.
DADOS
DE INFRA-ESTRUTURA
| |
Estado do Rio de Janeiro
|
Cidade do Rio de Janeiro
|
Regiões
|
| |
|
|
|
|
INFRA ESTRUTURA E PERFIL DE CONSUMO
|
| |
|
|
|
|
Consumo de energia em KWh per capta * 2
|
2.283
|
2.895
|
1.864
|
|
Domicílios com carência de infra-estrutura
* 1
|
32%
|
9%
|
52%
|
|
Consumo residencial de água per capta
* 2
|
4,3
|
5,7
|
3,3
|
|
Valor total das internações per
capta * 3
|
R$ 30
|
R$ 34
|
R$ 28
|
|
Telefones por 1.000 habitantes * 3
|
157
|
255
|
89
|
|
Automóveis por 1.000 habitantes * 2
|
186
|
265
|
132
|
|
Ônibus e caminhões por 1.000 habitantes
* 2
|
12,6
|
11,2
|
14
|
|
Veículos com 1 a 2 anos de uso * 2
|
11%
|
12%
|
9%
|
Fonte:
Anuário Estatítico do Estado do Rio de Janeiro 1999
– 2000, CIDE.
*
1 dados de 1991 – carência vinculada a serviços básicos,
como iluminação, água, esgoto ou lixo; * 2 dados
de 1999; * 3 dados de 1998.
Na
comparação de alguns indicadores que refletem o acesso
a infra-estrutura na cidade do Rio e nas Regiões do estado,
destaca-se o índice de domicílios com carência
de infra-estrutura, que nas Regiões abrangia mais da metade
dos domicílios em 1991, enquanto no Rio, este indicador era
de 9%, apesar dos problemas existentes nas favelas da cidade.
SALÁRIO
MÉDIO DO SETOR FORMAL – DEZ 1998
|
|
Estado do Rio de Janeiro
|
Cidade do Rio de Janeiro
|
Regiões*
|
| |
|
|
|
|
SALÁRIO MÉDIO EM NÚMEROS
DE SALÁRIOS MÍNIMOS
|
| |
|
|
|
|
Total do setor formal
|
4,4
|
5,1
|
3,0
|
|
Indústria Extrativa
|
11,1
|
9,1
|
11,5
|
|
Instituições Financeiras
|
13,0
|
12,9
|
3,6
|
Fonte:
Rais 98 /M.T.E. ; * 1 Regiões: o estado do RJ, excluindo a
cidade do Rio de Janeiro
A
distância entre as duas realidades não é tão
grande quando considerados, por exemplo, o consumo médio de
energia e de água residencial, que, nas Regiões, gira
em torno de 60% do consumido na Cidade.
A
comparação do indicador de quantidade de telefones aponta
para a existência de grandes oportunidades de investimentos
das empresas telefônicas nas Regiões. O investimento
inicial na compra de um aparelho telefônico vem sendo reduzido,
tendendo a ser fornecido sem custos. Por outro lado, nas diveras Regiões
do estado devem existir forte demanda reprimida para os serviços
de telecomunicações.
Com
relação ao mercado de automóveis as Regiões
registraram uma média de 132 automóveis por mil habitantes,
exatos 50% do índice da cidade do Rio. A quantidade relativa
de veículos é diretamente ligada a renda e a capacidade
de poupança. O salário médio de todo o setor
formal, na cidade e nas Regiões. Somente com o crescimento
econômico e a redução paulatina da diferença
salarial com relação à cidade, a população
das regiões poderá aumentar a quantidade relativa de
automóveis.
É
interessante destacar que nos setores com os mais altos salários
médios no estado – indústria extrativa, em função
do petróleo, e instituições financeiras – as
regiões registraram médias superiores à cidade,
o que pode explicar, em parte, a participação de 9%
de carros novos, com 1 a 2 anos de uso, na frota das Regiões,
próxima aos 12% da cidade do Rio.
Os
constrastes destacados, dos dados apresentados acima, atestam a grande
diferença econômica entre a cidade do Rio e as regiões.
Estas diferenças tendem a ser reduzidas, com o desenvolvimento
do estdo, direcionado, cada vez mais, para as Regiões.